domingo, 15 de maio de 2011

Pê ésse, dois pontos

A última receita foi postada e testada simultaneamente. Ela, em si, ficou muito boa e foi aprovada. No entanto, no dia posterior ao prato principal me deparei com alguns restos:
- as cascas do pão de forma (eu guardei, fiquei com dó de jogar tudo fora);
- um resto do frango ao molho que não coube no bolo;
-maionese;
- fome.

Assim, para meu jantar solitário hoje à noite resolvi preparar uma receita verde: não por ser saudável, mas sim por aproveitar restos e sobras.

Pegue as cascas de pão, coloque num prato e leve ao microondas por dois minutos, ou até ficar seco e torrado. No forno convencional use uma forma e deixe em fogo baixo até torrar. Agora você tem várias lascas crocantes de pão. Se quiser tempere o pão com azeite e orégano antes de torrar.

Se o frango tiver muito molho tente retirar esse excesso para deixá-lo o mais sequinho possível. Coloque maionese até formar um patê. Pronto.
Para comer, molhe as lascas, individualmente, no patê. Dependendo da quantidade de recheio que desejar, use a casca como uma colher, fartando-se do frango. Leve, educadamente, à boca. Deguste como se fosse um sommelier (se puder acompanhe de um vinho pra fazer jus à denominação), aproveitando ao máximo sua solidão e, no meu caso, meu livro de patologia.

Se organizar bonitinho no prato, teremos um petisco gostoso, prático e bem digno de buffet, diga-se de passagem:

Capriche no jantar. Mesmo que for só pra você.

sábado, 14 de maio de 2011

Bolo Salgado

Primeiramente gostaria de me desculpar pelo bolo (literalmente), que dei em vocês, agradabilíssimos leitores, permanecendo quase duas semanas, privando-lhes de meu humilde conhecimento culinarístico (culinário+artístico, vide brownie-poema).

Bom, na dúvida do que preparar este final de semana me deparei com certas limitações: forno que não funciona, cansada de macarrão e preguiça de fazer arroz. Por isso decidi fazer um bolo salgado: não é massa, não vai ao forno e é barato!

Portanto novamente lhes passo um bolo, não mais figurado e sim salgado.
Lá vai:

Ingredientes:
2 pacotes de pão de forma
um peito de frango (com pele e osso: mais barato e ao ser cozido, deixa a carne mais saborosa).
5 tomates maduros ou um sachê de molho pronto
alho, cebola, sal e outros temperos (salsinha e cebolinha que dão um toque refrescamente perfeitamente cabível numa receita que é servida gelada)
maionese
cenoura ralada (opcional)

First: cozinhe o frango: coloque-o numa panela de pressão com água até cobrir, sal, pimenta, coloral, louro e o que quiser. Deixe cozinhar por uma meia hora na pressão. Desligue o fogo e deixe que a panela esfrie sozinha. Tire o frango e deixe-o esfriar também para que não queime sua mão na hora de desfiar. Frio, limpe-o tirando a pele, o osso e as partes dispensáveis (deixe a carne!). Desfie-o.
Numa panela refogue alho e cebola (meia cebola e uns quatro dentes pequenos de alho), junte o frango e os cinco tomates batidos (no liquidificador ou picados loucamente com a faca) com um pouco de água. Não deixe muito aguado senão o bolo fica molengo.
Deixe ferver bem até que fique um frango bem molhadinho. Finalize com ervas frescas.

Pegue os pães e empilhe-os. Tire a casca, ou a parte mais escura com a...a....a.... "Faca?". É! A faca! Passe-a pela periferia das fatias num corte de cima para baixo.
Monte o bolo numa forma, refratário ou pote quadrado, pois eles se ajustam geometricamente bem ao pão também quadrado.
Siga a ordem: pão, frango, maionese, pão, cenoura ralada, maionese; ou: pão, frango, cenoura, maionese, pão.... Termine com pão e maionese.
Decore com uma casca de tomate moldada em forma de rosa e folhas de salsinha e cebolinha. Ou somente com batata palha. Se quiser substitua a maionese final por purê de batata. Mas é só mais trabalho sem um grande resultado no final das contas.
Leve para gelar.

Servindo com refrigerante, salgadinhos, bolo e parentes e obtêm-se uma ótima festa de aniversário.

Culinarístico, como eu disse!


Um beijo e um queijo!

sábado, 30 de abril de 2011

Um bolo. Ou mais.

Bolo:

3 ovos
2 xícaras de açúcar
2 colheres de margarina/manteiga
Misture
3 xícaras de farinha
1 xícara de leite
1 colher de fermento
Misture. Forma untada e enfarinhada. Forno pré-aquecido (180-220°C). 30 minutos em média.

Esta é a receita básica de qualquer bolo. Poderia encerrar o texto por aqui e deixar para cada um o papel de enriquecer a receita a seu modo. Mas o melhor desta receita é mostrar em que ela pode se transformar com pequenas mudanças (assim como grande parte das receitas postadas por aqui).
A receita acima pode ser feita na batedeira, liquidificador ou a mão. Com ou sem claras em neve. Mas o que escreverei aqui são pequenas variações que farão com que este bolo, se colocado em um caderno de receita, magicamente preencha umas dez páginas.

#0 Branco: é a receita acima. Resultará em um bolo branco básico que pode ser comido no café da manhã, com geleia, usado para fazer um pavê, montar um belo bolo recheado e etc. Pode-se adicionar essência de baunilha ou de qualquer outra coisa.

#1 Chocolate: Adicione toddy, nescau ou chocolate em pó ao final da receita. Não precisa diminuir a quantidade de farinha ou aumentar a de leite. Só coloque até ficar da cor de sua preferência.

#2 Formigueiro: acrescente formigas ao final da receita, ou deixe o bolo pronto aberto em cima da pia por uma noite. Ok, não é isso (sério??? juro que tava acreditando...¬¬'). Na realidade é só acrescentar chocolate granulado na massa e levar pra assar.

#3 Mesclado: Coloque metade da massa branca na assadeira. À outra metade adicione chocolate e jogue por cima da massa branca.

#4 Crocante: adicione na massa batida (branca ou de qualquer outro sabor) castanhas picadas, ou nozes.

#5 Panetone: na massa branca misture raspas de laranja e essência de baunilha. Isso deixa o sabor semelhante à essência de panetone. Misture frutas cristalizadas e/ou uvas passas ou gotas de chocolate.

#6 Laranja: Substitua o leite por suco de laranja natural e ao final da receita coloque raspas de limão ou laranja. Se quiser, com o bolo pronto e frio, jogue uma calda de açúcar com suco de limão (dá mais certo com glaçúcar, que é um açúcar bem fininho; coloque um pouco de açúcar num pote e jogue pouquíssimo suco de limão, até ficar uma calda grossa).
* Portanto substitua o leite por qualquer líquido não-venenoso que dá certo. Sério. Já fiz até com água.

#7 Banana: Capriche nas colheres de margarina. São duas bem cheias. Encha-as de modo que a colher de mãe pareça miserável. Ok nem tanto. Mas são bem fartas. Coloque a massa na assadeira. Corte bananas o suficiente para cobrir o bolo (corte rodelas e vá organizando em cima da massa). Polvilhe açúcar e canela e leve ao forno.

#8 Goiabada: Jogue metade da massa, coloque fatias de goiabada e coloque o restante da massa. Cubra com leite condensado depois de assado.

#9 Saudável: este entra na categoria "healthy food". Substitua o leite por iogurte natural ou suco de laranja e troque meia xícara de farinha por meia xícara de aveia. Tome com leite desnatado ou chá verde com adoçante, numa mesa branca cheia de mamão, granola e revistas Caras.

#10 Toalha Felpuda (é tão fofenho!): em vez de colocar os três ovos, separe as gemas das claras. Bata as claras em neve. Reserve. No bolo, troque o leite por leite de coco. Incorpore as claras em neve, delicadamente, na massa branca. Depois de assado, corte o bolo em pedaços e molhe-os com uma mistura de leite de coco com leite condensado (de modo que fique na consistência mais rala, se precisar adicione leite ou água). Passe os no coco ralado, embrulhe em papel alumínio e leve pra geladeira. Pode-se deixar o bolo na forma sem cortar. Mas fure bem o bolo com o garfo, jogue a calda com o coco ralado e leve para gelar.

Após anos de experiências bolísticas na cozinha (entre essas a de falta de ingredientes verificada apenas no meio da receita...), descobri que seguindo essa receita básica, e nunca esquecendo do fermento (nem usando um fermento comprado há mais de dois anos), as alterações na ordem, temperatura ou marca dos ingredientes, pouco mudam o resultado final. Assim, já iniciei o bolo batendo apenas os ovos e o açúcar até obter uma massa clara e fofa e depois pus a margarina; já usei leite fervendo em vez de frio; troquei açúcar refinado pelo cristal; troquei o leite pela água; untei a forma com margarina e polvilhei açúcar no lugar da farinha e etc...

Portanto, assim como a senha do facebook, a matéria da próxima prova (sei...) e a música do pente, decore esta receita e a tenha sempre em mente.


                                  

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Brownie-poema

Um novo estilo de receita,
Hoje pretendo estrear.
Uma delícia de chocolate
Fácil irei postar.

Não se atente a minha métrica,
Muito menos às minhas rimas.
Quem me dera fossem preciosas
Poeticamente, obras-primas.

Mas indo direto ao ponto,
O que é nosso objetivo.
A receita deste bolo,
Do qual nunca me privo.

O brownie de chocolate,
Pode, ao início parecer,
Um prato refinado
E difícil de fazer.

Mas querido amigo leitor,
Não se engane, não desista.
Este é de Palmirinha,
Nobel-culinarista.

A massa se inicia,
Com ingredientes na batedeira.
Mas se tens braços e colher,
Deixe de lado esta besteira.

Quatro ovos inteiros,
Num pote vamos quebrAR.
Duzentos gramas de margarina
E duas xícaras de assuCAR.

Tudo isso bata bem,
Fazendo o creme clarear
Se não estiverem gelados,
Os ingredientes não irão talhar.

Se quiseres e puderes,
Essência de baunilha adicionar
Duas colheres no máximo,
Para o bolo aromatizar.

A esta linda massa batida,
Uma coisa nos resta só:
Peneirar uma xícara e meia de farinha
E dez colheres de chocolate em pó.

Mas faça-me o favor,
E nada de toddy ou nescau.
Use chocolate em pó,
E siga a receita original

Misturando vigorosa e lentamente,
Aos poucos a massa adquire,
Uma bela cor e textura,
Dura e escura, mas não pire.

Em grandes colheradas,
Esta massa é colocada,
Numa forma com manteiga
Untada e enfarinhada.

Ao forno pré-aquecido,
O bolo, vamos levar
180-200 graus,
E 30 minutos esperar

O bolo vai crescer.
“Como?” você me questiona.
Não mencionei fermento
E nem esqueci, não sou bobona.

O ponto do bolo se dará,
Quando a massa estiver dura
Com uma bela crosta em cima
E o cheiro... uma gostosura!

Se nisso não confiar,
Finque uma faca ou palito
Se da massa, limpos saírem,
Bolo pronto, está dito.

No café da tarde ou da manhã,
Acompanhado de sorvete!
Uma bela idéia e sobremesa,
Gostosa pra cac***!

Que me perdoe Camões,
Que me perdoe Pessoa
Mas este terrível poema,
Traz uma receita muito boa.

Deste prato de chocolate,
Espero que tenham gostado.
Uma Boa Páscoa a todos
Pra mim também, muito obrigado!

domingo, 17 de abril de 2011

Panquecas!

Tentando dar seguimento à série de comidas saudáveis e que não se limitem à cenoura ralada com uma fatia de queijo fresco....

As panquecas na verdade serão o conjunto massa+recheio a seu gosto. Mas o mais importante é aprender a massa simples que poderá ser usada em muitas ocasiões e com os mais diversos acompanhamentos.

Ingredientes para uma receita de 10 a 15 panquecas finas:
1 copo de farinha de trigo
1 copo de leite
1 colher (sopa) amido de milho (opcional, acredite)
2 ovos
sal
1 colher (sopa) óleo de soja
Misture tudo, no liquidificador ou à mão. Se quiser, cozinhe algumas (muitas) folhas de espinafre escorra bem, espremendo até sair toda a água, e jogue no liquidificador. Se não possuíres este extraordinário instrumento de cozinha, pique o espinafre na faca intensamente. Daí a panqueca fica verde! Cenoura cozida deixa a panqueca laranjinha e beterraba cozida deixa a massa rosinha! Olha que fofinho, panquecas coloridas e nutritivas!!! (Você não vai achar tudo isso um monte de viadagem restart quando seu filho se recusar a comer qualquer coisa que pertença ao grupo das "comidas de verdade sem brinde do ben10").
Numa frigideira com óleo (uma ou duas colheres) jogue em torno de uma concha de massa para uma panqueca fina. A primeira geralmente dá errado Ela gruda e desmorona. Até a segunda talvez. Agora se você chegou à metade da massa e ainda não conseguiu fazer uma certo.....bem........Habibs> 08007782828
Pra virar desgrude as bordas da massa já meio cozida da periferia da frigideira e vire com uma espátula, ou, se não se encontra na situação acima descrita, vire a panqueca fazendo o movimento certo com a panela: jogue firmemente a frigideira pra frente dando um impulso pra cima. Dependendo da força que você fizer, a panqueca vira mais ou menos vezes antes de cair na panela de volta. Ou não.

O recheio pode ser variado: frango desfiado e refogado em temperos, cenoura, cebolinha, ervilha, palmito, nada; carne moída (coloque um pouco de molho de tomate e uma colher de farinha de trigo pra dar liga), presunto e queijo, goiabada.....
Enrole com o recheio, tanto na forma de um canudo, como na forma de um embrulho quadradinho. Coma direto ou leve ao forno com molho e queijo.
A massa pode ser usada para qualquer lanche. Uma ideia muito boa é montar em um refratário um ultra-lanche:
panqueca, panqueca, recheio (patês, presunto, queijo, carnes), alface, cenoura ralada, panqueca, panqueca, recheio (patês, presunto, queijo, carnes), alface, cenoura ralada, e assim muitas camadas.
Leve à geladeira essa lasanha fria enorme e corte ao servir. Fica muito bonito esteticamente e bem gostoso.

Coloridas!!!!

PS: Notei que, ultimamente, fico mais blogueiramente ativa quando não tenho tempo e tenho muita coisa pra estudar. Meu ócio não é criativo. Mas meu tempo reservado ao estudo e aprendizagem dos aspectos patomorfofuncionais do ca***** a quatro são extremamente produtivos.

domingo, 3 de abril de 2011

Green Big Mac

Como prometido a receita que iniciará a temporada verde neste blog é de hambúrger. A diferença dele para um lanche normal é que este será caseiro, sem excesso de sal, gorduras multissaturadas, conservantes químicos, corantes, aromatizantes, desinfetantes e outros Dantes deste inferno que nos cerca.

A primeira parte dele é fazer a carne do hambúrger. Usa-se carne moída. Ela pode ser bovina, de porco ou de frango. Só não use de minhoca, que pode dar rolo quanto à patente da receita.
A quantidade pra um hamburger é aquela que cabe na sua mão quando você faz uma bolinha (precisão: uncheck).
Bom, vamos temperar o dito cujo:
-sal à gosto, desde que seu gosto seja de pouco sal;
- temperos verdes: salsinha, cebolinha (essenciais), manjericão, tomilho, louro, hortelã e etc. Como sempre se não tiver fresco, use seco;
- alho e cebola picados;
- açafrão em pó, coloral, louro em pó, noz-moscada, pimenta-do-reino e etc... só não coloque temperos prontos do tipo Sazon-Knorr, que deveriam se chamar "Pressão Alta em pacotes de 15g".
- miolo de pão, ou farinha de rosca. Ele dá maciez e liga à carne.
Até aqui você pode moldar a carne em forma de hambúrger ou modelar em almôndegas e colocar pra cozinhar no molho de tomate (não é necessário frita-las antes; colocando-as no molho fervente elas cozinham e ficam saborosas)
Se nessa massa de carne, incrementarmos: tomate picado, cenoura, queijo e o que tiver, jogarmos numa assadeira como se fosse um bolo e levar para assar em fogo alto, teremos um delicioso kibe de assadeira.
Mas voltando para nosso delicioso disco de carne.... Modele os hambúgueres, inicialmente fazendo bolas de carne e posteriormente achatando-as numa superfície forrada com plástico, ou num prato. Faça discos grandes de carne porque, ao cozinhar, a coisa encolhe que só vendo. Frite em uma frigideira com pouco óleo. Ou congele os hambúrgueres, já moldados no plástico. Assim terá uma mistura prática, rápida e natural, para aqueles dias corridos (ou seja, todos).

Montando: use pão à escolha (pode ser integral, sírio, de hambúrguer, francês....), alface lavado, fatias de tomate.
Ok, até aqui. Daí, depois de todo o esforço pra picar cebolinha, reduzir o sal, usar pão integral e lavar alface, você pega e frita cinco fatias de queijo prato pra acompanhar. Pééééééééémmm!!
Uma fatia só é suficiente. Bacon e presunto são deliciosos, mas totalmente descartáveis.
Maionese. Passe um pouco de maionese no lado do pão que estará a salada. Eu disse pouca maionese no pão. Nada de um pouco de pão na maionese.
Bom: um hambúguer, alface, tomate, queijo, maionese, pão. Opcionais: picles, cebola, cenoura ralada, ketchup e mostarda.
Não esculhambe geral e tome uma Coca ok? Suco natural ou água, please.

Vai sujar muita louça, vai ocupar um bom tempo, pode dar tudo errado e você pode se machucar em meio ao procedimento. Mas pelo menos você vai reduzir o stress ao desocupar a mente do estudo e se concentrar na carne, aprender a errar e acertar na cozinha e gastar calorias ao lavar a louça. E como brinde começar a reduzir sua dose de anti-hipertensivos futuros.









Momento desabafo: preciso estudar agora.... aliás eu precisava antes de começar a escrever este texto. Quem me dera que tivesse essa dedicação para a maldita hepatite....
Foco! Foco! Foco! Foco! Foco! Foco! Fock! Fock! Fock! Fock! Fock! Fuck! Fuck! Fuck! Fuck! Fuck!
by Jorge

Slow food rules

Atendendo a pedidos (e necessidades) de conhecidos amigos anônimos, darei início a uma série de postagens seguindo a linha de comida saudável.

Posso dizer que tenho certa experiência em viver comendo pratos-exemplo de revistas femininas.
Digamos que no final deste ano eu e minhas irmãs comemos frango frito como quem que não comia há uma semana e de repente se depara com uma mesa de natal. Digamos que estou há uns dois anos sem comer batata frita feita em casa. Digamos que às vezes saio da mesa de jantar com a certeza de que ganhei no mínimo dois anos na minha expectativa de vida. Digamos que até o ano passado, o número de vezes em que comi no McDonalds de verdade, na minha vida inteira, foram três.
Digamos por fim que sou a pessoa certa pra falar sobre isso.

Comer comidas mais saudáveis não significa que viverás a base de filé de frango grelhado e nunca mais chegará perto de um torresmo. O problema é que existem pessoas que vivem praticamente dentro de uma panela de óleo quente e nunca chegam perto da parte verde do supermercado.
Pra iniciar esta série quebrando paradigmas, ensinarei uma receita de hambúrger. E ele não será de soja.

Não quero ser radical e muito menos fazer previsões apocalípticas para as pessoas que apresentam um estilo de vida diferente do meu e do ideal pregado pelas OMS's da vida. Longe disso. É errado impor novos hábitos às pessoas.

Só acho o seguinte: ou mude agora ou morra. #fail.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Bolo Floresta Negra

Bolo Floresta Negra

Ingredientes:

  • um bosque, de mata fechada, no meio do nada,
  • 60 m² de samambaias, musgos e trepadeiras,
  • 70 pés de carvalhos,
  • 20 kg de pedras
  • muitas teias de aranhas, escorpiões e morcegos,
  • animais selvagens (lobos e ursos de preferência)
  • 100 litros de tinta à óleo cor preto tenebroso,
  • carvão a gosto
  • um castelo medieval com torres e muros de pedras,
  • um mestre-das-trevas.
Junte tudo isso, deixe repousar por cerca de 100 anos, até que esteja escuro e malévolo. O ponto certo é observado quando se começa a ouvir barulhos aterrorizantes, uivos e gritos, e ao se notar o desaparecimento de clareiras e luz solar.
Não recomendado para usuários de vestimentas do tipo capa, da cor vermelha, crianças pobres esfomeadas orientadas por migalhas de pão e membros da realeza do sexo feminino.





Receita clássica inspirada pelos Irmãos Grimm, por Irmãs Selegatto.

domingo, 13 de março de 2011

Creme doce

Food, sweet food!
Sabe quando bate aquela larica de comer alguma coisa doce e só o que vem à cabeça (e do armário) é o clássico brigadeiro? Então, se você só tem leite condensado e toddy, sinto muito mas é isso a única coisa possível.

Mas se você tá afim e se o dinheiro ainda não está no fim, vá ao supermercado e compre: uma lata de leite condensado, uma caixinha de creme de leite e amido de milho (não leve em conta as melhores marcas; já fiz o creme Carrefour e ficou bom do mesmo jeito).
Numa panela coloque a lata de leite condensado e três colheres de maisena dissolvidas numa lata de leite (use a lata do leite condensado como medida). Leve ao fogo baixo mexendo sempre até engrossar e ficar com a textura de creme de padaria (como os que recheiam sonhos e bombas em geral).
 Depois do creme frio acrescente o creme de leite e misture bem até que fique liso. Adicione essência de baunilha se puder e quiser. Pronto. Agora pode ser usado em mil receitas doces:

#1 Bolo recheado: faça um bolo ou compre aquele pullman, corte em fatias, forre uma forma com plástico e alterne camadas de bolo umedecido com leite e o creme descrito acima. Deixe na geladeira por algumas horas, desenforme e cubra com chatilly ou ganache (chocolate derretido com creme de leite).

#2 Pavê: depois da brincadeirinha pavê-pacomê, pegue um pacote de bolacha maisena ou bolo mesmo, umedeça no leite com chocolate e forre um refratário. Jogue todo o creme por cima e leve à geladeira. Por cima decore com frutas, castanhas, confetti ou bolachas moídas.

#3 Torta de Morango: bata bolachas maisena no liquidificador, ou triture-as com a mão até formar uma farofa. Misture com um pouco de margarina derretida e forre uma forma de fundo removível ou uma forma forrada com plástico. Jogue o creme e leve para gelar. Faça duas receitas de gelatina de morango e deixe esfriar. Corte morangos ao meio e coloque-os organizadamente no creme. Despeje, delicadamente, a gelatina por cima e gele até que a gelatina esteja endurecida. Pode-se substituir a massa de bolachas pela massa da trouxinha de maçã assada.

#4 Creme Doce Gourmet: em taças ou em recipientes individuais de plástico apropriados, coloque o creme e misture com frutas frescas, secas ou cristalizadas, castanhas ou nozes, ou alterne creme-ganache-creme-ganache.

#5 Creme Doce Gurmê: coma o creme puro, na colher.

O creme é demais, básico e que por isso pode ser usado em muitas coisas à criatividade do freguês.


Versátil, eu diria.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Ovo

Ovo: subst, f, s: alimento único, fonte de proteínas, prático de fazer e que possibilita mistura durante doze dias por menos de 3 reais.

Apesar disso é difícil comer ovo frito durante mais de uma semana seguida. Por isso nada como divulgar novas maneiras de prepará-lo. Não tenho 12 diferentes receitas que cumpram as exigências estudantis (assim lá se vão os pratos de ravióli de gema mole e ovo frito com trufas negras).

#1 Ovo Frito: cláááássica preparação, em que se quebra o ovo em uma frigideira com óleo aquecido até que se atinja o ponto desejado: há aqueles que gostam de crocância e cor (desculpa pra quando o ovo queima), e os que preferem degustar o sabor característico da gema mal cozida (desculpa para a pressa e fome desesperadora).
Geralmente se tempera com sal. Um toque de noz moscada moída fica muito bom, assim como folhas de manjericão ou salsinha.

#2 Omelete: tudo o que tem na geladeira e ovo, pra dar liga e a nomenclatura. Queijo, presunto, restos da mistura da semana passada e muitos etcs. Geralmente faço com cebola, muitos temperos verdes, e um pouco de farinha de milho pra deixar firme. Se colocar arroz cozido fica completo e gostoso também. Deixe nutritivo e apetitoso colocando um pouco de tomate picado e abobrinha ralada.
Ahhh, se quiser optar pela versão “revista-Cláudia-perca-doze-quilos-em-três-dias-com-pensamento-positivo”, faça a omelete no forno e não frita em óleo: para oito ovos junte duas colheres de farinha de trigo e os outros ingredientes e leve para assar em fogo médio numa forma untada.

#3 Ovo mexido: idem itens acima. Na preparação destrua o que está na frigideira até virar uma maçaroca. Dica: deixe fritar bem na parte de baixo antes de mexer, assim os pedaços ficam maiores e inteiros.

#4 Ovo poché: se fala pochê rimando com tchê, assim como nestlé que se escreve com é e se fala com ê (a sentença anterior parece um trova). Ele é um pouco mais complicado de se fazer, complexidade já indicada pelo nome cheio de frescuras.
Deixe a água ferver e coloque algumas gotas de vinagre. Quebre o ovo numa xícara e tempere com sal e outros (temperos, não moradores da ilha de Lost). Com uma colher, mexa a água fervente, formando um redemoinho no centro. Jogue o ovo no olho deste furacão em miniatura. Deixe alguns minutos até cozinhar a clara e um pouco da gema. Retire com uma escumadeira (instrumento de cozinha que é uma colher com furos).
Esta preparação geralmente é acompanhada de lascas de trufa negra, um cogumelo encontrado principalmente na região da Europa Central e cujo preço da grama é maior que a grama de ouro. Ou seja, coma acompanhado de arroz ou pão.

#5 Macarrão à carbonara: Macarrão cozido com molho de creme de leite e gema. Misture uma caixinha de creme de leite com uma gema. Frite bacon se quiser. Misture tudo isso ao macarrão cozido e quente. Polvilhe com queijo ralado. Se você for imunodeprimido e quiser eliminar de vez a salmonella, leve o creme e a gema ao fogo para aquecer rapidamente. Se ferver, a mistura talha (= fica empelotado).

#6 Pão com ovo: auto-explicativo.
Mas existe uma forma mais sofisticada de preparação em que se usa uma fatia grossa de pão com um furo no meio. Como? você me pergunta. Coloque uma fatia de pão grossa na mesa e com um copo de boca pra baixo perfure o pão formando uma cavidade circular central ao molde da borda do copo. Toste este pão na frigideira com manteiga e, na região vazia do furo, quebre um ovo. Tampe, deixe cozinhar sem queimar e vire para tostar do outro lado. A gema costuma ficar mole, cumprindo seu objetivo de servir de molho para o pão. Nunca se esqueça de temperar o ovo com um pouco de sal e noz-moscada e pimenta opcionais.

#7 Ovo cozido: ovo inteiro com casca na água fervente por sete minutos na pressão atmosférica de São Paulo. Picado e misturado com uma batata cozida picada e um pouco de maionese vira uma salada deliciosamente monocromática.

#8 Maionese caseira: não recomendada para imunodeprimidos, filhinhos de mamãe e consumidores de ovos de procedência duvidosa. Num liquidificador bata um ovo inteiro e vá despejando lentamente óleo até que se adquira a consistência de maionese. Se você for muito foda, dispense o liquidificador e bata o ovo numa tigela com um batedor de mão até dar o ponto. Tempere com gotas de limão, sal e talvez um pouco de mostarda. Essa é a receita original da maionese, afinal, você achava que ela já vinha pronta do vidro assim como o leite da caixinha?

Não foram doze receitas, mas com estas oito já dá pra evitar as repetições excessivas e a rejeição eterna do ovo após alguns dias de sua dieta exclusiva.
O Exmo. Sr. Dr. Ovo ainda é fundamental no preparo de bolos, tortas, pães e doces, mas não como ingrediente principal.

Por isso, caros amigos, para que não haja a obstaculização no preparo de seus alimentos, tenham ovos em seu estoque.
Perfeitamente?


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Macarrão com Calabresa

Esta é uma receita já feita duas vezes, por isso apresentarei duas versões dela:

Versão 1: ESTUDANTE DE MEDICINA
um pacote de macarrão (usei o padre-nosso, mas pode usar o ave-maria...daí depende do pecado cometido..XÉS)
uma calabresa
uma lata de molho de tomate (ou um saquinho, ou qualquer tipo de embalagem que contenha molho de tomate industrializado)
Cozinhe o macarrão de acordo com os sagrados mandamentos do pacote. Escorra. Frite a calabresa cortada em cubos durante uns cinco minuto (quando digo fritar, não é mergulhar em óleo assim como batata do Méqui, mas sim deixá-la durante um tempo em uma panela quente com umas duas colheres de óleo). Calabresa pronta jogue o molho de tomate e deixe até ferver. Adicione em torno de meia xícara de água ao molho para que ele não fique espesso demais. Tempere com sal e ervas o suficiente. Coloque em cima da massa cozida e polvilhe queijo ralado.

Versão 2: NEUROCIRURGIÃO
500g de massa fresca do tipo linguine
5 tomates italianos frescos cortados em cubos
1/4 de cebola picada
3 dentes médios de alho
4 colheres de sopa de azeite extra virgem
1 linguiça calabresa ou dois gomos de linguiça de pernil
queijo parmesão ralado na hora
folhas frescas de manjericão verde e roxo
Cozinhe a massa e escorra. Refogue a cebola e o alho no azeite. Frite a calabresa ou a linguiça muito bem (vide neurocisticercose). Acrescente os tomates em fogo alto por apenas dois minutos. Desligue o fogo e acrescente as folhas de manjericão picadas grosseiramente. Em um prato de porcelana branca, coloque a massa, regue com o molho e rale o parmesão por cima. Decore com ramos de manjericão roxo.

Estou com fome, esperando uma pizza de 10 reais no momento e sem dinheiro para pagá-la...adivinhe qual a versão que já fiz duas vezes?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Chicken Chess

Chegando ao final do segundo semestre de 2010, decidi que uma despedida decente da turma deveria contar com comidas dignas de livros de receita. Assim a discussão foi entre eu (mim?? Ahh o vestibular já é passado) e Davi, um grande amigo da faculdade e parceiro nas atividades culinárias. Ela girava em torno de qual seria o grand menu. Começamos com carne assada, salpicão, sobremesa de chocolate e cookies para o café. O tempo foi passando, o dinheiro acabando e a razão retornando às nossas mentes. Afinal fazer esta ceia de natal seria arriscada e exagerada para nossos humildes padrões. O que era pra ser um banquete virou uma comida fácil, porém gostosa, pensada de última hora, sem os grandes e pretenciosos planejamentos da idéia inicial.
O plano era ir à casa de um amigo, que contava com cozinha, panelas, espaço e disposição de nos receber, e cozinhar um frango xadrez para umas dez pessoas.

A receita que segue, apesar de ter sido feito para o número de pessoas mencionado acima, é recomendável para no máximo umas 8, para que se coma à vontade mesmo (e com arroz).

Usei dois peitos de frango. Dica: o filé de peito é muito prático, mas de alto custo. Se quiser conforto e praticidade ok. Mas pode economizar comprando peito com pele e osso. Daí você limpa a peça, tirando a pele e o osso e corta a carne em cubos. Se você juntar à carcaça ervas, alho, cebola numa panela com água e ferver tudo junto, e depois coá-los obtêm-se um ótimo caldo de frango para ser usado em receitas futuras ou no simples cozimento do arroz. É natural e sem o excesso de sódio presente nos tabletes industriais (vide Knorr)  que lhe deixará hipertenso daqui alguns anos.
A carne pode ser temperada com o que quiser. Sal, alho, gengibre e ajynomoto são o ideal. Mostarda, como tempero, cai bem com frango. Após isso se deve refogar o frango numa panela grande o suficiente. No início se juntará no fundo bastante água do cozimento. O ponto é quando essa água secar e a carne começar a dourar.

Não conheço esta receita em sua forma pura e imaculada. Assim o modo como apresentarei o restante desta forma geométrica de se preparar um frango é uma sugestão que fica gostosa mas que não é fiel à preparação oficial.
Para acompanhar a carne coloque legumes. Muitos. Vagem, cenoura, pimentões das três cores, cebola, etc. Cozinhe-os em ordem decrescente de tempo de cocção (cozimento para os íntimos). Ou seja, primeiro a cenoura e vagem cortados em fatias ou rodelas grandes, depois os pimentões e por último a cebola. Prefiro que estes ingredientes não fiquem moles e sim crocantes, por isso não os deixe tempo demais no fogo.

O molho é feito com shoyu, água e amido de milho (maisena ou maizena). Água e shoyu entram na proporção 2:1, ou seja, duas medidas de água pra uma medida de molho de soja. Para a quantidade descrita acima usei uma garrafa pequena de shoyu. Dissolva duas colheres de maisena em um pouco de água e leve tudo ao fogo misturando sempre. Ele vai engrossar e escurecer. Se ficar muito ralo, coloque mais maisena dissolvida em agua. Se ficar muito grosso coloque mais água ou molho de soja. Jogue o molho na mistura de frango com legumes, adicione amendoim torrado e coma.
Cuidado! O shoyu é bem salgado, por isso adicione todos os ingredientes sem salgá-los. No final da receita, se houver necessidade acrescente à gosto.

Para saber se gostaram ou não do prato atente-se à seguinte reação: se não comentarem sobre o prato enquanto comem, significa que ficou muito bom. Afinal, estão mais preocupados em comer do que emitir suas críticas e opiniões acerca da receita, de você, do seu time, do novo eliminado do BBB, do preço do barril de petróleo.....

PS: evite isso servindo o frango após algumas horas de espera. A fome é maior do que a necessidade de se expressar.



O frango xadrez acima ficou muito bom. Tanto que a receita chegou à Austrália, fazendo sucesso nas mãos de Bruna (autora do layout do blog) em sua versão heroica: Chicken Chess à la She-ra.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Tips

Após duas receitas um intervalo para a digestão...

Na realidade é uma dica para quem, como eu:
- cozinha ouvindo música;
- limpa a casa ouvindo música;
- fica na internet ouvindo música;
- ou simplesmente ouve música.

A rádio pela internet: Indie 103.1
É muito boa, toca música intensamente, sem intervalos tediosos e longos e sem repetir o mesmo sucesso três vezes na mesma hora.

Agora se você gosta de futebol e cozinhar, uma dica de leitura:
E se você só gosta mesmo de futebol o blog em si é muito bom.

Próxima receita: Frango xadrez da turma V.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

AAHHH... a sobremesa!

Adoro fazer doces. Daí quando pensei em sobremesa mil receitas inundaram minha mente como um rio caudaloso (uau que frase poética!).
Ok, “Pablo Neruda mode off”.
Enfim, como tinha maçã pensei em fazer uma receita da minha mãe que foi adaptada de uma receita da minha vó (cozinhar é de família caros amigos). A massa é de uma torta de banana que minha mãe resolveu rechear com maçã picada, canela e açúcar e moldar num formato novo, como se fosse uma trança (a esse formato se dá o nome de “catarina”).
Só que em vez de trançar a massa eu resolvi usar pedaços pequenos e fazer tipo uma trouxinha. Não fica lááááá essa lindeza, mas é interessante.
A receita da massa que vou passar é oficial e dá umas três tranças grandes ou umas 14 trouxinhas:
16 colheres de farinha de trigo
8 colheres de açúcar
1 colher de fermento em pó
1 ovo
1 colher de margarina
1 xícara de leite
1 colher de vinagre (pode não colocar ou substituir por limão e suas raspas, fica bom)

Isso tem que ficar uma massa firme que não grude nas mãos. Se não ficar coloque farinha até ficar. Reserve.

O recheio é maçã picada em cubinhos (ou sólidos irregulares de seis faces, afinal não se sabe se algum físico nerd está lendo este blog..). Não é necessário descascar, mas se não gostares da casca...
Misture essa maçã com canela em pó (à gosto) e açúcar.
Aí chegamos à uma parte que exige um pouco mais de habilidades manuais. Divida a massa em pedaços do tamanho de uma bolinha de ping pong (foi a primeira coisa que me veio à cabeça pra fazer a comparação). Abra ela em círculos ou em pseudo-círculos, coloque uma colher do recheio e puxe as bordas pra cima formando uma trouxinha. Coloque para assar em forno médio.
A trança é complexa de ser ensinada por textos. Se um dia eu tiver paciência e tempo posto um tutorial em vídeo (ahamm... senta lá cláudia).
Ou senão forre uma forma grande, coloque todo o recheio e com a massa restante faça tiras de massa e quadricule por cima do recheio. Não é necessário untar a forma.

Segue uma foto da receita, que eu fiz no dia em que comecei a escrever esse blog, ou seja, hoje (eita empolgação!). A aparência de queimado não é porque eu fui besta e esqueci a receita no forno. É porque eu fui besta e esqueci de ver se meu forno estava funcionando direito. Ele costuma liberar uma fuligem preta durante o uso. Mas eu experimentei e o gosto está normal. Pra dar uma disfarçada polvilhei açúcar por cima. Fica bonitinho.

Dica:
A receita da massa é um bombril doce: tem mil e uma utilidades (tá ok, só três que eu consiga me lembrar).
Se cortada em tirinha, frita em óleo e polvilhada com açúcar e canela, vira bolinho (tirinha) de chuva.
Se recheada com doce de banana, vira torta de banana (receita original da minha vó).
Se assada pura vira biscoitinhos doces para o seu café da tarde. (Mas, meu chapa, se você se dá ao luxo de ter um café da tarde não precisa desta receita pra lanchar, basta abrir sua despensa cheia de petit fours).




Não está queimada! Acreditem!

Receita Estopim

Como disse no texto acima, a ideia de construir um blog de culinária fulera (mas boa) para estudantes, veio no momento de reflexão sobre o que jantar hoje à noite.

Minhas aulas só se iniciam na próxima semana, mas como dedicada veterana que sou, estou aqui desde a semana passada para receber os queridos bixos. O resultado de toda esse esforço, dedicação (e desespero por sair da casa dos pais) é ser deixada "alone in the dark" pelos seus colegas de turma que adoram as férias (!).
Assim me encontro no meu apê modesto em São Carlos somente com um companheiro de turma, cuja presença no meu jantar de hoje é a causa de tudo isso.
Marlon (meu companheiro de turma) virá jantar hoje em casa. Após longas horas atualizando meu twitter, consultando meu facebook e respondendo ao MSN, resolvi, durante o período em que descansei destas complicadas tarefas, olhar minha reserva alimentícia. Resultado: macarrão, tomate, maçã, farinha, ovo, açúcar e temperos (apesar da miséria e sofrimento na hora das compras, conto com um estoque de temperos básicos*).

Assim o menu de hoje será:
- Entrada: pela porta mesmo.
- Prato Principal: macarrão com molho de tomate e manjericão fresco. Queijo ralado opcional.
- Bebida: refri (ou suco de pózinho, mas eu odeio).
- Sobremesa: trouxinhas de maçã.

Adoráveis e persistentes leitores, não se enganem. O nome é pra impressionar. A descrição dos pratos abaixo servirá para acabar com a ilusão de que estes são quitutes finos e para aliviar seu desespero quanto ao custo e trabalho das receitas. 

É o seguinte:

Macarrão com molho de ...blá, blá, blá.:
Cozinhe o macarrão que será suficiente para o número de pessoas que vão comer. Aqui farei para duas pessoas normais, mas é sabido que às vezes recebemos convidados semelhantes a touros em nossa residência com o objetivo de saciar a fome de três meses, portanto atenha-se ao nível de fome dos dito cujos.
Bom, aqui foi meio pacote de macarrão. Use qualquer tipo e de qualquer marca. Só não recomendo o ninho, que é bem complicado de cozinhar, pois corre o perigo de grudar tudo e formar uma maçaroca no final.
Cozinhe em uma panela com bastante água (1 L pra cada 100g de massa) e esqueça o segredo de colocar óleo na água do cozimento. Se você não dormiu nas aulas de química (ou seja se você passou no vestibular sem trambicagens) sabe que água e óleo não se misturam (água polar e óleo apolar não rolam). Portanto ao colocar óleo ele ficará boiando na superfície da água fervente sem efeito nenhum no macarrão. 
Agora se você acredita religiosamente no papel do óleo para o cozimento perfeito do macarrão, vá em frente. Não vai dar errado também. 
Enfim: macarrão na água fervente, misture bem ao colocar e durante todo o cozimento (tempo indicado na embalagem ou descoberto a partir das provas da massa a cada minuto).
Escorra após cozinhar e pronto.
Para o molho refogue 1 a 2 dentes pequenos de alho, (cebola opcional) e coloque 2 tomates picados em cubos grandes. Em fogo alto deixe o tomate cozinhar rapidamente para que ele se mantenha inteiro. A tentação é grande mas não fique misturando. Coloque umas 7 folhas de manjericão (ok sem preciosismos: coloque o quanto quiser de manjericão). Fresco se possível, pois o seco é tenso amigo.
Para fazer uma montagem bonita coloque o macarrão cozido no prato, jogue o molho por cima, polvilhe queijo e decore com folhinhas do tempero. Coma.




* Pequeno gafanhoto, segue abaixo uma lista de temperos ótimos e essenciais para mim. São opcionais.
Manjericão, salsa, cebolinha frescos.
Sal (dããr!)
Canela (para doces em geral)
O resto pode ser usado seco mesmo.



P.S: trouxinhas de maçã em breve.